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La Poderosa

Publicado: 29 de dezembro de 2012 em Uncategorized

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Já faz um considerável tempo que ensaiava esta publicação, mas por motivos diversos, a 118 Garage e tudo relacionado a ela ficaram de fora do meu cronograma de atividades. Agora, tomado por uma boa dose de vergonha na cara, resolvi colocar tudo em dia na garagem, e estou dando uma atenção especial aos assuntos esquecidos e projetos abandonados, que oportunamente, serão divulgados por aqui. Mas para dar início a esta nova fase, vou começar por um tema um tanto quanto antigo, que acabou de completar seis meses! Sim, exatos seis meses atrás, eu adquiri um belíssimo exemplar para minha coleção, e a história é tão interessante, que merece uma postagem especial.

Em meados do mês de junho de 2012, encontrei um anúncio para a venda de um conjunto de três modelos customizados na escala 1:18, cujo vendedor era uma empresa, a KMC Brasil. O principal modelo do anúncio era uma pick-up Ford F1 1948, com uma customização extremamente radical, com pintura preta fosca, tudo no melhor estilo Rat Rod. Como coadjuvante no anúncio, mas não menos provocante, estava outra pick-up Ford, uma F100 1956 modelo americano, também preta fosca, no estilo Rat Rod, porém, com uma customização mais suave, se é que existe customização suave! Por último, praticamente fazendo figuração no lote, estava um reboque no estilo Vintage, que servia de base para a F1 mais insana já vista no Brasil.

Meu desejo era comprar o lote, tamanha era a exclusividade do conjunto, mas como havia feito alguns gastos volumosos nos meses anteriores, não tinha condições de adquirir tudo. Foi então, que parti para o plano “B”: entrei em contato com o vendedor para tentar convencê-lo a desmembrar o lote, e então, vender apenas um dos modelos. Minha intenção era pegar apenas a F100 1956, pois este modelo de pick-up faz parte da minha coleção, e também poderia se encaixar no tema Rat Rod. Para minha total surpresa, a KMC Brasil atendeu ao meu pedido, e fechamos negócio pela F100.

Fui retirar pessoalmente a minha aquisição, pois a KMC Brasil tem sua sede numa cidade do oeste catarinense, mais precisamente em Chapecó, distante apenas 40 km da minha casa. O encontro com o proprietário da KMC Brasil, Alex Sandro de Martini, foi sensacional! Ele foi muito atencioso comigo, demonstrou ter uma habilidade incrível com a customização e automação de modelos em miniatura, além de ser um grande conhecedor de miniaturas na escala 1:18. A empolgação foi tão grande no bate-papo com o criador da mais bela aquisição da minha coleção em 2012, que já estou preparando uma publicação especial sobre o Alex, pois artistas como ele são extremamente raros no nosso país, e mais raros ainda quando são tão acessíveis e gentis.

Bom, mas o foco agora é na F100 1956 Rat Rod, que para minha surpresa e delírio, estava bem diante dos meus olhos, muito mais linda e atrevida do que nas fotos do anúncio. É incrível como não sei descrever o poder que esta pick-up exerce sobre mim! Conversei muito sobre essa dificuldade com minha assessora para assuntos de Língua Portuguesa e Espanhola, bem como para temas polêmicos e de profunda interpretação. Tentamos definir “¿qué pasa?”, não concluímos nada, mas não foi totalmente em vão esta reflexão! Definimos em comum acordo que: uma expressão emblematicamente latina, que diz muito sem entrar no mérito da questão, que permite várias interpretações, e o principal, que poderia batizar a minha F100 1956 Rat Rod, não poderia deixar de ser La Poderosa. 

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Sim! La Poderosa também era o nome da motocicleta Norton 500cc 1939, usada por Ernesto “Che” Guevara na sua viagem de seis meses pela América do Sul em 1952. Nesta viagem de Buenos Aires (Argentina) até Caracas (Venezuela), foram rodados aproximadamente 12.000km, e as injustiças sociais observadas nos países por onde andou, revoltaram e serviram de inspiração para que “Che” se tornasse um dos maiores revolucionários comunistas, influenciando milhares de pessoas. 

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A minha La Poderosa é exatamente assim:

– possui um ar de rebeldia, que é comum aos revolucionários, e que nela é destacado pela pintura simples, mas de altíssima qualidade, em preto fosco, o que dá um aspecto despreocupado, e que, em contra partida, esbanja atitude e forte personalidade;

– é extremamente provocante, culpa do conjunto de suspensão e rodagem, composto por rodas de Pontiac do fim da década de 60, porém, com pneus de banda branca, que estão devidamente acomodados numa suspensão ultra rebaixada, que mesmo sem esterçar as rodas dianteiras, garante um efeito impressionante;

– é desafiadora, como quem pede para ser perseguida, ou melhor, para ser acelerada, e no compartimento do motor, está lá um V8 big block de Mercury, do fim da década de 60.

Pague três e receba apenas um!

Publicado: 16 de outubro de 2012 em Uncategorized

Não deveria ser uma justificativa, mas acabou sendo: demorei a apresentar uma nova postagem por aqui, pois estava me recompondo das últimas taxações que sofri!

Sim! Novamente meus carrinhos foram tributados absurdamente pela Receita Federal e Estadual! Dessa vez o tranco foi tão violento, que fui obrigado a quebrar o cofrinho e usar as economias para liquidar as tributações, e assim não perder os modelos comprados.

Minha primeira ideia foi xingar desenfreadamente a mãe, o pai, os filhos, avós, e todos os envolvidos na operação de taxação, além de propor uma perseguição aos mesmos, com fins canibais! Definitivamente, essas últimas experiências tributárias “despertaram em mim os instintos mais primitivos”, lembrando Roberto Jefferson, o estopim do mensalão. Mas graças ao tempo, que é sim, o Senhor da Razão, resolvi mudar o foco, e por isso, apresentarei aqui algumas das principais dificuldades encontradas pelos colecionadores, para manterem suas coleções num país de terceiro mundo como o Brasil.

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 A primeira grande dificuldade do colecionador surge na aquisição dos itens do seu acervo. A grande maioria dos carrinhos colecionáveis encontram-se no exterior, e por isso, coleções formadas a mais de 20 anos, merecem uma consideração mais do que especial, pois foram concebidas sem o auxilio da internet, ou seja, sem sites de compra e venda on-line. Os colecionadores mais antigos encomendavam com amigos que viajavam ao exterior, para que estes trouxessem na bagagem algum carrinho para seu acervo. Os mais abastados financeiramente faziam essas viagens, aproveitando para aumentar a coleção com peças raras compradas pessoalmente. Alguns itens colecionáveis eram e ainda são oferecidos no Brasil, mas sempre com preços elevados, o que acaba inviabilizando muito as coleções. Com a popularização da internet no início da década de 90, e mais recentemente, a popularização dos cartões de crédito, ficou muito mais fácil para formar uma coleção, ou até mesmo para adquirir uma já iniciada por algum colecionador estrangeiro.

Mas como todo bônus tem seu ônus, sobrou para o transporte internacional, e nacional também, esse peso na conta do colecionador! Cansei de comprar itens por 40 e gastar 50 com o envio. Tudo bem se o item é raro e vale os 90 que vai custar, mas quando essa conta não bate, dá uma raiva enorme por morar no fim do mundo! A despesa de envio é um valor que não agrega nada ao item adquirido, portanto, quanto mais longe do fornecedor, mais cara será a coleção. Outro fator que anda me tirando o sono, nessa mesma questão do envio, é o péssimo serviço prestado pelos Correios. Mesmo tendo uma boa experiência com os serviços dos Correios, ainda me surpreendo com algumas situações, que vão além de caixas danificadas severamente e a demora excessiva na entrega. Nas minhas últimas encomendas tributadas, não recebi a solicitação de comparecimento a agência para quitar e retirar a encomenda. Em três caixas, só recebi o aviso de uma, as outras duas, nem sinal de fumaça! Por sorte, acompanhei o rastreamento fornecido pelo vendedor, e sabia o momento em que estavam aguardando retirada na agencia. Mas fica um alerta, para aqueles colecionadores que compram sem saber o número de rastreamento: fiquem atentos, pois as encomendas podem ser devolvidas ou então, leiloadas para quitar a tributação. 

Seguindo na ordem, depois de comprado o item raro no exterior, efetuado o envio da melhor maneira possível, e tudo isso por um valor bem acessível, eis que surge o terceiro e mais temível inimigo do colecionador: a tributação! E eu, como citei acima, já estou curtido em tributação, infelizmente! Essa é com certeza a pior experiência que o colecionador pode passar, ganhando em gênero, número e grau daqueles itens que chegam danificados de forma irreversível, devido ao transporte desleixado, normalmente ocorrido no território nacional.

Posso explicar facilmente o motivo dessa grande frustração, e tenho vários exemplos para dar, mas um em especial, vivido alguns dias atrás, e que acabou me aborrecendo a ponto de abandonar a coleção por um tempo! Procurei um item raro por mais de um ano, na verdade foram dois anos, e depois de quase desistir e até duvidar da existência do tal item, acabei encontrando-o. Surpreendentemente, a peça rara encontrava-se a venda num site privado, duma loja localizada na França.

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Depois de batalhar com a escrita em inglês, pois tentar um diálogo em francês poderia levar a negociação pro buraco, consegui me fazer entender e fechei negócio com o vendedor. O valor do envio não foi bem o que eu esperava, ficando um pouco além do aceitável, mas foi exigência do vendedor, usar um sistema de transporte seguro e rápido para concretizar o negócio. Foi um momento tenso, pois golpistas habitam todas as partes do planeta, inclusive o primeiro mundo, e negociar através de um site privado é extremamente arriscado, pois é a ferramenta mais usada para golpes no cartão de crédito. Mas ocorreu tudo da melhor forma possível, e em cinco dias após o pagamento, a caixa já estava no Brasil, e aí sim, começava o meu sofrimento.

Foram gastos aproximadamente mais quinze dias entre a fiscalização, tributação e liberação por parte da Receita Federal, que encaminhou a encomenda aos Correios para a entrega. Esperei por mais cinco dias, e como não recebi o aviso dos Correios para pagar os tributos e retirar a encomenda, fui até a agência, munido do número de rastreamento da caixa, e com uma enorme esperança de que a tributação seria bem suave.

Que nada! A taxação foi para arrebentar com qualquer possibilidade deste colecionador adquirir algum outro item no exterior tão cedo! O governo precisa de receita para manter seus “programas sociais”, o fiscal da receita quer as gratificações por maior arrecadação, os Correios ganham o seu feijão com arroz pelo serviço de entrega da encomenda, que na verdade não vale nem uma água com sal, e eu, o colecionador, fiquei com a conta dessa turma toda para pagar, e tudo a vista e em dinheiro! Foram 60% de impostos federais, mais 32,7% de impostos estaduais, gerando um total de quase 93% de impostos, e isso sobre o valor total, somando o valor do item mais o valor do envio!

A conta que faço é bem simples: se morasse na França e comprasse o item diretamente na loja, com o mesmo valor que gastei aqui no Brasil para adquirir apenas um item, lá eu teria condições de comprar pelo menos três itens raros para a minha coleção, ou seja, paguei por três, mas recebi apenas um!

Os sobreviventes

Publicado: 18 de setembro de 2012 em Uncategorized

Eis que apresento os dois únicos e bravos sobreviventes, das minhas intermináveis aventuras automobilísticas da infância!

Tudo bem que o caminhão está se desmontando sozinho, mas ainda existe, e faz parte da minha coleção e da minha história.

Trata-se de um modelo da Matchbox, série Superfast, que deve ser do fim da década de 70 ou bem do início da década de 80. O nome oficial deste caminhão é Skip Truck, porém, é uma esquisitice parecida com os caminhões de tele-entulho, que encontramos rodando por aí atualmente.

Seria considerado um modelo raro, apesar de pouco procurado pelos colecionadores. O motivo do “seria” é que, para ser realmente raro, além de estar em perfeitas condições, deveria ter a caçamba azul, já que o modelo mais comum possuía a caçamba na cor amarela. Bom, a quem possa interessar, o suporte da dita cuja caçamba foi perdido com o tempo, e a referida “rara caçamba azul”, foi derretida! Sim, eu adorava colocar fogo em peças, partes e até em carrinhos inteiros!

Apesar de parecer absurdo, é verídico esse procedimento de chamuscar os carrinhos com fogo, para usá-los nas brincadeiras como veículos acidentados. Inclusive, antes de “tacar fogo”, era comum golpeá-los com um martelo, provocando alguma deformação e dano na pintura, dando mais realidade ao acidente automobilístico. Ainda bem que não faço mais isso hoje!

Bom, o outro modelo sobrevivente é uma empilhadeira, que está em melhores condições, pois é bem mais nova que o caminhão, provavelmente de meados da década de 80. Também é um Matchbox e o seu nome oficial é Fork Lift.

Os Matchbox das décadas de 70 e 80 foram excelentes, tanto que, a maioria dos colecionadores mais antigos tem grande paixão por estes carrinhos, que foram extremamente duráveis e fiéis a sua época. 

Segue abaixo, a imagem do que seriam os meus dois sobreviventes, em estado de novo, com as famosas embalagens em formato de caixa de fósforos: Matchbox. 

Por que 118 Garage?

Publicado: 16 de setembro de 2012 em Uncategorized

Engana-se quem pensa que este espaço é dedicado apenas aos carrinhos grandões na escala 1:18. Tenho na minha coleção alguns pares de exemplares na escala 1:24, meia centena de modelos na escala 1:43, e claro, milhares de carrinhos na escala 1:64, que foi o ponto de partida. Tenho também alguns modelos de escala indefinida, mas que giram em torno da escala 1:34, e que oportunamente serão apresentados. Recentemente adquiri também alguns gigantes da Highway61: os caminhões na escala 1:16 super detalhados.

O fato é que, apenas quem já me enviou alguma encomenda, provavelmente com carrinhos, ou então, quem veio visitar a minha coleção, e observou o número na entrada da casa, vai entender o tal “118” no nome do blog. Sim, o número da minha casa é 118, e daí surgiu a ideia de unir a minha localização, ao foco atual da minha coleção.

Portanto, a 118 Garage é uma garagem de todas as escalas, não focando apenas num tamanho, e muito menos num tema. Aqui, o que for interessante, será divulgado, inclusive na escala 1:1! 

O início

Publicado: 29 de agosto de 2012 em Uncategorized

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Na minha infância sempre tive poucos carrinhos, tanto que, a grande maioria deles foi destruída de tanto brincar. Quando eu pedia aos meus pais um modelo novo para brincar, recebia a seguinte resposta: “Você só vai ganhar outro carrinho quando já tiver brincado bastante com este que você tem aí!”

Desde pequeno fui apaixonado por veículos automotores, e era normal que eu recusasse um convite para jogar bola ou andar de bicicleta, se tivesse a opção de brincar com os carrinhos. Era só cogitar essa possibilidade de brincadeira comigo, que lá estava eu, com os meus modelos preferidos na mão, prontos para começar as aventuras por estradas e cidades imaginárias. Conforme fui crescendo, a paixão pelos automóveis foi crescendo na mesma proporção, e aí está o problema: eu cresci muito, e a paixão também!

Lembro que no fim da década de 80, passei a freqüentar as agências autorizadas de automóveis, em parceria com um amigo. Não tínhamos dinheiro para comprar um carro, e no meu caso, muito menos sabia dirigir (o meu amigo já dominava o Fiat 147 dos pais dele), mas sempre dávamos um jeito de conferir os carros recém chegados às lojas, e pedíamos folders com os lançamentos. Lembro muito bem de dois carros, que na época, eram nossos sonhos de consumo: o Uno 1.5R e o Gol GTS. Foi exatamente nesta época, que passei a procurar literatura sobre o assunto Automóvel. Lembro que meu primeiro exemplar da revista Oficina Mecânica, ganhei dum amigo que, por ser alguns anos mais velho, já possuía larga experiência teórica e prática com carros. Inclusive, foi com ele que andei pela primeira vez na vida acima dos 160 km/h, sentado no banco do carona do Monza 1.8 SLE branco, que era mantido sempre impecável!

Os anos seguintes foram de peregrinações constantes até a banca para comprar a revista Oficina Mecânica. Logo que abria a revista, folheava até a matéria sobre adaptação, onde normalmente apresentavam um carro antigo modificado ou super preparado. Aí está outro marco no meu mundo automotivo: o início da paixão pelos carros antigos e hot rods. Os anos passaram rápido, e essa paixão, que deveria ser apenas passageira ou mera curiosidade, foi ficando cada vez mais forte e consistente, principalmente com o embasamento literário que havia conquistado ao longo dos anos.

Em 1996 entrei na faculdade de Engenharia Mecânica, e lá, encontrei vários indivíduos, que assim como eu, estavam infectados com o vírus da ferrugem automotiva. A faculdade em si não tinha como foco principal o setor automotivo, mas mesmo assim, o tema era constante entre os colegas e professores, e me lembro bem de várias conversas intermináveis sobre quem era melhor: Ford, Chevrolet ou Dodge. Foi nesse ano que tive o meu primeiro contato com outra grande paixão, dentro dessa minha doença automotiva: as carreteras. Essa paixão é inexplicável, e talvez, para entender esse sentimento, somente recorrendo às teorias espíritas, visto que, não vivi aquela época, e nem tenho ligação direta ou indireta com alguém que tenha vivido aquela época, mas sinto que elas fazem parte da minha vida desde sempre. É estranho demais, mas prefiro curtir esse sentimento e não buscar muitas explicações.

Seguindo cronologicamente, nessa época, além da revista Oficina Mecânica, eu acabei descobrindo outra revista excelente, com foco nos carros antigos e hot rods: a Auto & Técnica. Comprei a revista praticamente nos seus primeiros números, ou seja, acompanhei o seu surgimento e evolução desde o princípio. Em 1999, através dum anúncio na Auto & Técnica, soube que havia uma revista da mesma editora, cujo tema girava em torno de miniaturas de automóveis. Fiquei interessado, e tratei logo de comprar uma edição da revista MiniModels, mais precisamente, a número 4. A revista era do tamanho de um gibi, e vinha com uma miniatura Hot Wheels de brinde, o que me deixou muito satisfeito e curioso. Detalhe: a miniatura em questão era um Plymouth Roadrunner 1970 laranjado com faixas pretas.

Essa simples aquisição da revista MiniModels, desencadeou o início da minha coleção de Hot Wheels.  Cheguei a montar um acervo com mais de 30 carrinhos em menos de um ano, mas no final de 2000, resolvi investir nos carrinhos maiores na escala 1:43, e doei todos os Hot Wheels para alguns colegas de faculdade.

Ao mesmo tempo, a minha paixão pelos carros antigos estava crescendo assustadoramente, tanto que, consegui comprar o meu primeiro carro em 2001, num sufoco financeiro tremendo. Era um Chevrolet Impala 1958 Yeoman, apelidado de Azulão. Era raro, estranho, assustador, mas infelizmente, tive que vendê-lo pouco mais de um ano depois de comprá-lo. O motivo da venda? Falta de grana para restaurá-lo, e principalmente, falta de espaço para guardá-lo! Neste tempo, porém, não abandonei minhas revistas, ao contrário, passei a comprar exemplares mais antigos, das décadas de 60, 70 e 80, sempre focando nas carreteras, nos carros antigos, nos V8 e nas competições das décadas de ouro do automobilismo brasileiro.

Ainda no ano de 2001, no meu aniversário, ganhei de presente da minha irmã o meu primeiro carrinho na escala 1:18. Era um charutinho de corrida da década de 30, mais precisamente um Bugatti 1934 type 59 azul da marca Burago. Nos dois anos seguintes, novamente ganhei de presente da minha irmã modelos 1:18, sendo uma Mercedes-Benz 300 SLR 1955 Mille Miglia da Maisto e uma Pick-up Studebaker 1937 Coupe Express da Yatming.

Também não larguei de mão meus carrinhos, tanto que, em 2002, cheguei a comprar um lote com mais de 20 carrinhos 1:43 da Del Prado, cujo vendedor era o Mário “Oldjunior”, considerado uma lenda viva entre os colecionadores mais experientes. Foi a maior compra que havia feito até então pela internet, e fiquei com tanto medo de levar calote, que liguei para saber se o cara existia mesmo. Mas ele existia, e teve uma paciência enorme para me agüentar com toda a minha falta de experiência. Mas o tempo passou, e descobri que achar carrinhos 1:43 aqui na minha região era muito difícil, e bancar a coleção com carrinhos comprados pela internet era caro demais. Por conta disso, a minha coleção foi parando lentamente.

No início de 2003, eu ganhei da minha irmã dois carrinhos Hot Wheels na escala 1:64. Ela pensou que estava me fazendo uma grande sacanagem, dando dois carrinhos pequeninhos para um marmanjo com quase 25 anos de idade. Na realidade, ela acabou me fazendo voltar ao ano de 1999, e retomar minha coleção de Hot Wheels. Consegui entrar em contato com alguns ex-colegas da faculdade, e recuperei meia dúzia de carrinhos que foram da minha coleção, inclusive o n°1, o Plymouth Roadrunner da revista MiniModels.

Meu foco principal sempre foram carros antigos e Hot Rods, que são as minhas grandes paixões, mas acabei abrindo espaço para outros tipos de carros, e acabei perdendo o tema e o controle da coleção. Investi pesado nos Jada Toys, modelos que são bem diferentes dos tradicionais na escala 1:64, sendo até chamados de “tortinhos” por colecionadores mais puristas, mas que criaram uma legião de fãs e seguidores pelo mundo ao longo dos anos. Lembro que o primeiro Jada Toys da minha coleção veio dum colecionador que insistiu muito para que eu conhecesse pelo menos um modelo da marca, justamente um Impala.

O resultado dessa experiência ao vivo foi uma paixão arrasadora! Me dediquei demais aos Jada Toys, e sofri para fechar as “waves” das séries que mais me interessavam: DubCity, RoadRats, StreetLow, Homie Rollerz, e a mais famosa de todas: Big Time Muscle. Foi uma época incrível da minha coleção, pois já tinha mais conhecimento, tanto sobre os fabricantes, como sobre os temas, mas principalmente, possuía uma boa rede de amigos também colecionadores.

Com a coleção andando mais que Cadillac 59 sem freios morro abaixo, não demorou muito pra surgir o primeiro problema: as taxações em larga escala! Esse simples fator foi o responsável por praticamente inviabilizar minha coleção por quase dois anos! Nunca fui e nem sonhei em ser um comerciante de carrinhos, por isso, ficava indignado ao pagar noventa e três por cento de imposto sobre mercadorias que não eram mercadorias, eram os carrinhos da minha coleção! 

Mas graças ao Senhor do Bonfim, um baiano arretado cruzou o meu caminho exatamente nesta época, e tomados pela mesma indignação, formamos uma parceria entre nossas coleções. Era dezembro de 2006, e começava ali, uma união em prol do colecionismo, mas que se tornaria uma grande amizade. Na verdade, tenho certeza de que a minha coleção só existe hoje, por conta desta parceria feita há quase seis anos atrás!

Até então, minha coleção tinha como foco os carrinhos na escala 1:64, das marcas Hot Wheels, Jada Toys, Maisto e Johnny Lightning, mas em 2008 comprei alguns Jada Toys na escala 1:24 das séries D-Rods e Road Rats, e também alguns Hot Wheels na escala 1:18. Este tempo, que durou pouco mais de um ano, pode ser considerado como um período de reestruturação da minha coleção, me desligando de alguns temas e buscando concluir os incompletos. Foi um tempo de muita pesquisa, e o mais importante, a definição dos rumos a serem seguidos nos próximos anos.

Em 2010, mais precisamente no dia 16 de Junho, o amigo e customizador Jota Erre, publicou no seu site algumas fotos de modelos Ford 1932 da GMP na escala 1:18. Eu simplesmente surtei quando vi, e inevitavelmente, me apaixonei pelos “grandões” da GMP. Em menos de dois meses após ver a postagem, já estava colecionando miniaturas na escala 1:18, e o melhor, sabendo muito bem o que incluir na lista de futuras aquisições.

Hoje, 29 de agosto de 2012, não por coincidência, data do meu aniversário de 34 anos, dou início a mais uma fase na minha coleção: a divulgação. Daqui pra frente, pretendo contar algumas histórias desses longos anos colecionando, expor alguns modelos que fazem parte do meu acervo, comentar sobre carros antigos, enfim, registrar aqui os fatos que forem ocorrendo nos próximos anos da 118 Garage.

Rafael Afonso Busanello